terça-feira, 22 de maio de 2018

ASHANINKA DO AMÔNIA: A LUTA CONTINUA...

EM FAVOR DE MADEIREIROS, O MINISTRO ALEXANDRE DE MORAIS (STF) RECEBE RECURSO INCABÍVEL CONTRA OS ÍNDIOS ASHANINKA*
Dr Antonio Rodrigo Machado*


A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia foi reconhecida em 1985 como pertencente ao *Povo Ashaninka*. Os primeiros relatos dos portugueses sobre os Ashaninkas são do século XVI, feito por Jesuítas, mantendo até hoje uma forte resistência sociocultural, apesar dos intensos ataques de madeireiros na região.

Durante a década de 80, de acordo com *ação judicial interposta pelo MPF*, a família MARMUDE CAMELI foi responsável por quilômetros de desmatamento na região da Terra Indígena, resultando em benefício de *milhões de dólares em madeira nobre, além de levar diversas doenças aos índios*.

Em ação ajuizada pelo Ministério Público Federal, a família foi condenada em primeira instância (Justiça Federal do Acre), em segunda instância (Tribunal Regional da 1ª Região em Brasília) e no Superior Tribunal de Justiça.

Como o recurso destinado ao STF não foi recebido na segunda instância, o processo terminaria com a decisão do STJ, mas uma manobra jurídica, excepcional e não aceita pela jurisprudência, fez com que o processo fosse ao Supremo Tribunal Federal. Um recurso extraordinário interposto contra a decisão do STJ foi recebido pela própria Corte.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

“AGORA FALA DE UM JEITO QUE EU ENTENDA“: sobre alguns entraves de comunicação para além da língua

Por: Raial Orotu Puri

Bikatani, Madijá!
Itaikiri, Ashenika!
Shara men, Shanenawa!
Shaba unanumamen, Huni Kui!
Bêsuê, Marubo!

Começo este texto com alguns dos termos que tenho aprendido aqui por estas paragens, e que servem como saudação ou quebra-gelo no início de uma conversa. Cabe, no entanto, observar que corro o risco de que alguns estarem grafados incorretamente (e peço desculpas aos leitores por isso!), assim como também é evidente que a simples utilização destas palavras seja suficiente para entabular um diálogo efetivo.

Esta reflexão, portanto, pretende falar sobre conversa, diálogo, compreensão, e, é claro, seus contrários, e também sobre alguns cuidados que me parecem necessários àqueles que acabam de chegar quando precisam estabelecer uma interação respeitosa com os outros.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

MORTES E O KAMBÔ: Displicência, fatalidade ou um ‘problema para as autoridades’?

Por: Jairo Lima

Admito: Tenho me dedicado pouco a religião das letras cursivas. Sei que isso pode parecer displicência com a meia-dúzia de leitores que tenho mas, afirmo: é por uma boa causa, já que as notas musicais e a dedicação ao Sananga Recods tem me consumido o pouco tempo ‘livre’.

Esta semana que passou quedei-me com uma indisposição muito forte, que me afastou das labutas diárias. E assim, enfurnado em meu castelo familiar, deixei que os pensamentos me atormentassem um pouco, como prática para o expurgo das más energias que tentaram se impor sobre mim.

Eu, cá enfurnado, tentei passar despercebido o máximo que pude, mas, na era do Facebook e do endiabrado e intrometido ‘zap-zap’ tal atitude é inútil.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O QUE AS ÁGUAS DE MARÇO ME TROUXERAM ALÉM DO SILÊNCIO DESTES DIAS

Por: Raial Orotu Puri


Março é em muitas coisas o ‘meu’ mês. E talvez neste ano de 2018 tenha sido ainda um pouco mais, devido a ter sido um mês de muitas águas; de navegação, de limpeza, de choro, de partidas e, espero, algum recomeço possível. Quero tentar neste texto sintetizar um pouco sobre essas águas todas...

Começo dizendo que foi um mês intenso, e sua intensidade se fez sentir para mim em muitos âmbitos, e talvez por isso mesmo, a minha resposta a ele tenha sido quase toda feita de silêncio e pensamentos. E. talvez por tanto silenciar, agora falar algo que seja de repente me pareça tão penoso. Mas tentarei.

Pois bem, março, mês de meu aniversário e mês de águas, foi passado quase todo ele em meio a elas, no curso de um rio muito especial para mim, o Bariá, como chamam os Huni Kuin (ou Envira, para os menos íntimos). Mas é claro, não serão apenas destas águas que falarei, ainda que estas em particular tenham guiado muito do que tenho feito. Há, no entanto, outras águas, muitas.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

VOANDO COM OS PÁSSAROS AZUIS...

Por: Jairo Lima

Olhei pro céu... a lua reinava, afastando para longe as nuvens carregadas da benfazeja chuva.

Uma brilhante fogueira pintava o ambiente de um amarelo dourado-escuro, muito parecido com uma velha peça de ouro, transformando todos ao seu redor em vultos ensombrados com sua cor. Esse efeito se fazia principalmente nas formas disformes que a circundavam.

Eu, que também não era mais que um vulto dourado, olhava fixo para a cena que se desenvolvia à minha frente, sem dela conseguir desprender minha atenção para os outros movimentos ao meu redor, ou, ainda, para os que estavam diretamente ao meu lado e que, por vezes, dirigiam-me algumas palavras que eu não absorvia quase nada. Quanto  à cena, esta era formada por formas femininas que rodopiavam em uma dança exótica e singular, traçando no ar formas com os movimentos de seus grandes lenços, enquanto seus corpos moviam-se em harmonia, deslizando pelo ambiente como se flutuassem.

sábado, 17 de março de 2018

BENKI ASHANINKA: ‘É o índio da novela’?

Por: Jairo Lima

O Juruá alterna seus humores entre o calor escaldante e chuvas torrenciais, que alimentam a floresta garantindo-lhe a perenidade e riqueza que nos enche de vida e esperanças.
Nas últimas duas semanas venho participando do frenesi febril e dinâmico que tomou de assalto não só nossa região, mas, também, boa parte do mundo, pelo menos, de um grande número de pessoas ao redor deste.

Não me refiro ao funesto e revoltante assassinato da vereadora Marielle Franco, tombada na guerra sem sentido que assola a Cidade Maravilhosa, e que, com certeza, espelha o desarranjo e abandono que tomou conta de nossa Pindorama. Me refiro a outra situação que, se por um lado não teve o trágico desfecho, ao menos personifica a bagunça generalizada dos valores e virtudes de nossa sociedade: o processo criminal contra o indígena Benki Ashaninka.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

BLA BLA BLA… e eu de volta em 2018...

Por: Jairo Lima



Fevereiro indo para o seu ocaso, e novamente ressurjo para mais um ano de escrevinhações e percepções que nem sempre são as mais coerentes, mas que, de certo modo, afaga-me as angústias.

Desde o final da 1a Conferência Indígena da Ayahuasca que submergi em projetos próprios, como a música, principalmente quando na aventura gastronômica e etílica da festividade utópica e ilusória da ‘virada de ano’, o amigo Rafael Castro inventou de fazer uma interessante ‘macumbagem’ alemã que, entre sustos e risos de todos que dela participaram, e do esforço poliglota do amigo Rafael, ficou claro que 2018 se apresentaria como eu vinha refletindo logo no dia seguinte ao fim da conferência.