sexta-feira, 18 de agosto de 2017

SOBRE MUITAS COISAS…E O MARCO TEMPORAL

Por: Raial Orotu Puri


Tendo retornado há poucos dias de uma visita a uma terra indígena, esta até então desconhecida minha, sinto necessidade de escrever um pouco sobre a experiência, que embora reúna sempre algumas sensações e impressões recorrentes tende a ser também carregada de singularidade e novidade. Quero falar aqui tanto do vivido no contexto da estadia, como daquilo que ouvi no retorno, e que me parece refletir em alguma medida uma percepção que venho construindo acerca do que tenho visto nesses tempos em que ‘conheço’ o Acre.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

PAPO COM REPASTO: Sobre o padrinho tarado, o kambo, os yura e os cursos de xamanismo...

Por: Jairo Lima

Batendo um papo com uns amigos, fechando a semana de visitas que recebi, após um bom repasto de domingo, regado a moqueca de peixe, acompanhado por um delicioso suco de cupuaçu, a conversa direcionou-se para questões espirituais (ou do sagrado), o que não poderia ser diferente já que estes costumam vir ao Acre anualmente em busca de experiências esotéricas e ‘xamânicas’.

Conversávamos sobre as pirações que andam rondando e movendo o ‘mercado’ xamânico, bem como as notícias de algumas bizarrices que andaram ocorrendo durante as viagens dos ‘pajecas’, pseudo-xamãs e ‘padrinhos’ pelos EUA. Rimos muito com três histórias em particular: a de um padrinho do daime, bem conhecido no Sudeste brasileiro, que andou ‘pulando a cerca’ quando esteve nos EUA e foi flagrado dando uns pegas numa irmã da igreja, durante um hinário; a de um pajeca que fumou tanta erva que esqueceu de dar conta dos rituais e, por fim; a de um ‘xamã’ que informava a algumas mulheres (só as bonitas, e nunca informava nada aos homens) que, como parte do ritual teriam que ter relações sexuais com ele. Claro que falamos, também, das pessoas sérias que andam divulgando e espalhando luz pelos quatro cantos do mundo, realizando rituais e trabalhos de cura tanto espiritual quanto material.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O YONI EGG E O FIM DO PATRIARCADO: A sagrada mistureba ataca novamente

Por: Raial Orotu Puri

Dia desses eu estava me dedicando a uma tarefa inglória: visitar perfis e páginas de internet atrás de situações de desrespeito/ crimes contra o patrimônio indígena. Faço isso vez ou outra. Não por que ache a tarefa interessante. Muito pelo contrário, aliás. É triste, decepcionante e revoltante, mas é necessário na parte que me cabe nesse latifúndio.


Além de ter encontrado uma porção de casos bem sérios de apropriação cultural e falta de vergonha na cara made in raion, encontrei também algumas coisas que me fizeram duvidar enormemente da seriedade e da sanidade de algumas pessoas – isso dito tanto daquelas que ofertam determinados artigos quanto daquelas que os adquirem.

Neste texto, gostaria de falar um pouco disso. E sim, por óbvio que, ao falar disso, entrarei também nas questões de apropriação cultural, ainda que esse não seja exatamente o ponto central daquilo que quero tratar. De qualquer forma, um assunto tende a tocar no outro, porque, é claro, tem sempre a questão da salada Frankenstein que é a relação que muitos brancos têm com o sagrado indígena, mas seja como for, a princípio, quero falar menos de apropriação cultural e mais de ‘alopração’ cultural.